O desânimo tem imperado por aqui, nos últimos dias. Por isso passei um tempo sem postar. Não só por isso, também pq estava viajando. Quando voltei pra casa, tive a péssima notícia: Tio Mala e Mogli, o Menino Lobo, estavam a caminho.
As vezes me sinto um monstro por falar assim, pq esse meu tio ficou viúvo há pouco mais de um ano, com um filho de três anos de idade, e imagino que isso não deve ser pouca coisa. Mas nem pensar nisso me dá a paciência necessária pra aturar essa criança (meu primo) sem precisar de umas duas aspirinas. Eles moram há cerca de 500 km da minha cidade e, a cada poucos meses, resolvem ligar pra dizer que estão vindo passar uns dias na nossa casa.
Mogli é o apelido dado por mim e pela minha irmã, porque ele mais parece um animal selvagem que uma criança. É claro que a culpa é toda do Tio Mala, que faz tuuuuudo o que um pai não deveria fazer. Ontem, como todas as vezes em que eles vêm pra cá, a hora do banho do menino é o maior berreiro. Ele grita, esperneia, meu tio grita mais alto, fala todos os palavrões do mundo, e a casa parece tremer por pelo menos 20 minutos. É a maior gritaria, barraco total, ninguém agüenta e, mesmo assim, meu tio não parece sentir o menor constrangimento pela situação criada.
Entre as coisas irritantes que acontecem qdo o Tio Mala está aqui (além da total falta de privacidade), é a mania que ele tem de ficar pedindo mil coisas e dando palpite enquanto fazendo. Tipo o dia em que pediu que eu fizesse café depois do almoço. Aí sentou do lado do fogão e ficou dizendo: "sabe que, qdo a água ferve, não dá pra usar pro café? Tira o sabor...". Dá vontade de mandar tomar lá onde não pega sol, sinceramente.
Mogli é a criança mais mal educada da face da Terra. E acredito que, se eu tivesse um filho assim, que não soube educar e sob quem não tenho o mínimo controle, não teria coragem de me hospedar na casa de outras pessoas. Teria vergonha, certamente. Pra completar, não tem uma comida que é colocada na mesa, que ele não diga que não quer comer. Além de não querer, fecha a cara e faz bico, típico de crianças mimadas e insuportáveis. Agora vou descer pra comer a pizza que ele acabou de berrar (sim, ouvi do meu quarto, com a porta fechada) que não vai comer. E imagino que ele está, nesse momento, assim como na hora do almoço, sentado no chão, gritando e chorando.
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