terça-feira, 28 de agosto de 2007

22 de junho de 2007

Quando eu tinha meus 10, 11 anos, era uma menina bem desajeitada (pra não dizer coisa pior), apesar de ter sido uma criança linda e delicada. Quando cheguei à chamada pré-adolescência, uma camada a mais de células adiposas se alojou ao redor da minha cintura, fazendo-me sentir como se estivesse usando uma bóia. Talvez isso tenha acontecido graças àqueles "pratos de pedreiro" que eu fazia na hora do almoço e do jantar, acreditando que seriam inofensivos, já que eu estava em "fase de crescimento". Pelo menos era isso o que todo mundo dizia, pra justificar minha comilança dia após dia. Não posso dizer que eu fiquei gorda (tenho sorte de ser de uma família de gente magra e alta), mas a pochete apareceu, inevitavelmente. A partir daí, me sentia feinha e sem gracinha, e odiava meu cabelo ondulado cada dia mais. Pra piorar, ainda tinha o aparelho nos dentes. A única coisa que me amparava era a esperança de que, quando eu fizesse meus 15 ou 16 anos, mudaria completamente. Ao ver as amigas da minha prima, todas nessa faixa etária, eu pensava "não é possível que elas tenham sido sempre lindas assim, com certeza eram como eu". Mal sabia que, pra atingir a mudança que eu tanto almejava, seriam necessários vários esforços. O primeiro deles foi uma dietinha básica. Quando conheci a "amiga chapinha", então, uma luz parecia estar abrindo novos caminhos na minha vida. Magrinha novamente, com cabelos lisos, sem aparelho nos dentes.... ainda faltava alguma coisa: peito. Bingo! Lá fui eu, fazer milhares de exames pra comprovar que meus peitinhos de ovo frito não cresceriam mais e que eu já poderia fazer a cirurgia. E foi isso o que meu médico descobriu (thank God!). Quatro meses antes de completar 17 anos, coloquei peito e me senti uma nova mulher. Nem preciso dizer que, depois disso, tornei-me muito mais vaidosa e todos passaram a me achar linda por conta disso. Por causa da auto-estima lá em cima, não do silicone. É claro que o segundo levou à primeira. Hoje, quando vejo as amigas da minha sobrinha - a maioria por volta dos seus 14 anos, com aqueles cabelos armados (que mais parecem perucas) e aquelas barrigas saltitantes, caindo por cima das calças -, basta ouvir alguém falar "elas ainda são novinhas, vão mudar bastante, perder peso", que eu tenho vontade de disparar: "não iluda as menininhas! Pra mudar, elas têm um longo caminho a percorrer". É, ser mulher e se manter sempre bonita é algo que está longe de ser tão simples.